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Litoral do RN tem aumento da sensação de calor

24/02/2026


 

Nos últimos dias, tem sido comum a impressão de que o calor parece grudar na pele, como se o suor não evaporasse e a respiração estivesse mais pesada. Dentro de casa, sem ar-condicionado, o ambiente permanece abafado mesmo à noite. Na rua, o sol castiga e o vento quase não ajuda. Essa é a sensação predominante no litoral do Rio Grande do Norte, marcada por uma nova onda de calor que tem elevado não só as temperaturas, mas também o desconforto térmico da população.

De acordo com o meteorologista Gilmar Bistrot, da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), o fenômeno é resultado de uma combinação de fatores atmosféricos e oceânicos que atuam de forma simultânea sobre a região. “Essa onda de calor que está acontecendo nesses últimos dias ocorre exatamente porque a gente está com um bloqueio na atmosfera, principalmente em altos níveis. Uma alta pressão está bloqueando o crescimento das nuvens e a possibilidade de formação de chuvas aqui no litoral”, explicou.

Os efeitos práticos desse cenário já são percebidos nos termômetros e, principalmente, na sensação térmica. Conforme a Emparn, as temperaturas no litoral estão cerca de meio a um grau acima da média. “Então, se a temperatura do ar estiver em torno de 31,5 °C, a sensação térmica pode chegar a 33 a 34 °C”, ressaltou o meteorologista, observando que essa percepção varia de acordo com o biotipo de cada pessoa. Diferentemente do interior do Estado, onde o calor é comum, a atual onda tem impacto mais intenso na faixa litorânea.

A expectativa, segundo Bistrot, é de mudança gradual no padrão atmosférico nos próximos dias. “Esse bloqueio está diminuindo e a tendência é a zona de convergência começar a trazer as chuvas e nós termos essa diminuição da temperatura que temos observado nos últimos dias”, disse.

Pancadas isoladas já foram registradas em algumas regiões do interior, enquanto o litoral deve sentir os efeitos da instabilidade de forma mais consistente à medida que o bloqueio atmosférico perde força. A tendência é que com isso a sensação de calor diminua.

 

Saúde

 

 

Do ponto de vista da saúde pública, o calor persistente acende um alerta. O Ministério da Saúde define ondas de calor como eventos caracterizados por temperaturas anormalmente elevadas por vários dias consecutivos, acima do esperado para uma determinada região e época do ano. A pasta destaca que esse tipo de fenômeno pode provocar desidratação, agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias, além de exaustão térmica e insolação.

Entre as principais orientações à população estão o aumento da ingestão de água, mesmo sem sentir sede; a preferência por ambientes ventilados e sombreados; o uso de roupas leves; e a redução de atividades físicas nos horários mais quentes do dia. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas exigem atenção redobrada durante períodos prolongados de calor intenso.

Enquanto o alívio térmico não chega, a recomendação das autoridades de saúde é adaptar a rotina, observar os sinais do corpo e acompanhar os boletins meteorológicos. Até que as chuvas se tornem mais frequentes e as temperaturas recuem, a sensação de calor, que em alguns momentos beira o insuportável, deve continuar no litoral.

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