Saúde

1.508 crianças morreram por Covid-19 nos últimos dois anos

26/07/2022


O Observatório de Saúde na Infância - Observa Infância, da Fiocruz/Unifase, a partir de dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, verificou que em 2020 e 2021 morreram mais do que o triplo de crianças de até cinco anos por Covid-19, do que por outras 14 doenças que podem ter mortalidade evitada por vacinação e outras ações de saúde em uma década.

 

No período coberto pelo estudo 1.508 crianças morreram por Covid-19. Enquanto as doenças que compõem a Lista Brasileira de Mortes Evitáveis somaram 44 óbitos nesses dois anos. De 2012 a 2021 o total foi de 498 mortes.

 

Participaram do estudo especialistas que atuam em várias áreas da saúde infantil, como neurotuberculose, tuberculose miliar, tétano neonatal, tétano, difteria, coqueluche, poliomielite, sarampo, rubéola, hepatite B, caxumba, rubéola congênita, hepatite viral congênita e meningite meningocócica do tipo B.

Desde o dia 13 de julho, a Anvisa liberou o uso emergencial da vacina Coronavac, do Instituto Butantan, para as crianças de três a cinco anos. Porém, as que têm entre seis meses e dois anos continuam descobertas e possuem o dobro de risco de morte em relação às primeiras. Em dois anos, 539 crianças morreram por Covid nessa faixa etária.

Em entrevista para a Folha de S. Paulo, o pesquisador do Observa Infância, Cristiano Boccolini, nos próximos três meses o país pode perder mais 76 crianças nessa faixa etária se o ritmo dos últimos dois anos se mantiver.

"Esse é o preço que o Brasil pode pagar enquanto espera a aprovação da vacinação para esse grupo. No cenário mais otimista, poderíamos ter a vacina nos braços dos nossos bebês daqui a três meses", disse à Folha.

Ainda sem data definida, tanto a Pfizer quanto a Zodiac, representante da Moderna no país, disseram que solicitarão à Anvisa a autorização para uso da vacina a partir dos seis meses.

A faixa entre 3 e 5 anos, que já tem a liberação da Anvisa para ser vacinada, contudo, também enfrenta problemas, já que, de acordo com há 5,6 milhões de pessoas com essa idade elegíveis para tomar a vacina, mas os municípios só dispõem de cerca de 1,5 milhão de doses.

Além disso, a onda “anti-vacina” faz com os pais não levem seus filhos aos postoso de vacinação. "O que a gente mais vê são mães preocupadas com a meningite, por exemplo, mas a Covid mata muito mais e não há essa sensibilização toda", disse Boccolini à Folha.

 

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