Saúde

Sindsaúde denuncia falta de medicamentos essenciais no hospital Walfredo Gurgel

24/04/2024


 

Os trabalhadores do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel denunciam escassez de medicamentos e insumos essenciais na maior unidade de pronto atendimento público do Rio Grande do Norte. O fato estaria causando atrasos em procedimentos cirúrgicos, falta de medicamentos e riscos de infecções nos pacientes e, conforme denúncia do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde do RN (Sindsaúde), a situação chegou ao ponto de os familiares dos internos terem que comprar materiais de uso médico-hospitalar.

Segundo o coordenador do Sindsaúde, Carlos Alexandre, alguns dos materiais que estão em falta são papel toalha, suporte de soro, orientador de foco e luvas de procedimento, além de medicamentos como dipirona, usado como antitérmico e analgésico. Os trabalhadores da unidade ainda colaram na entrada do hospital cartazes com os insumos indisponíveis, entre eles, sabão, gazes, álcool, ataduras, antibióticos, coletores de urina, aparadeira e lenços.

“A família, para não ver o paciente naquela situação, acaba indo comprar algum material, como uma atadura para fazer uma tipóia, fechar a gaze que está no curativo para não cair, um esparadrapo, que às vezes é de péssima qualidade. Materiais que eram pra ser de qualidade para a gente dar um atendimento que realmente surta efeito, mas são [equipamentos] como se fosse de segunda, terceira mão, que acaba sendo ineficiente para o que a gente está fazendo”, explicou o coordenador.

Com a falta de materiais essenciais para o atendimento e para higienização, ele conta que os pacientes correm risco de infecção ao buscarem a unidade de saúde, além da utilização de equipamentos que não são adequados para os procedimentos. “Na falta de um material, a gente se vira com outros materiais, que não seria o adequado para o momento. O paciente não é bem assistido”, completou.

Medicamentos antibióticos também estão em falta no hospital, de acordo com as denúncias do Sindicato. Diante da indisponibilidade, a solução tem sido a recomendação de uso de outro remédio. “O médico pede um antibiótico. Quando não tem, ele tem que pensar em outro antibiótico. Imagino que, se ele pediu um [antibiótico], era aquele. Quando ele pede outro porque não tem o primeiro, então não vai surtir o mesmo efeito”, relata.

 

O Sindsaúde também denuncia a ausência de insumos no Hospital Giselda Trigueiro, como luvas para procedimentos, álcool, roupas privativas, lancetas, agulhas, toucas e medicamentos como luftal, buscopan e antibióticos.

 

Hospital Walfredo Gurgel também sofre com atraso de procedimentos

 

Além da falta de medicamentos, a unidade sofre com o atraso de cirurgias. De acordo com Carlos Alexandre, o atraso não é causado pela ausência de insumos, mas pela falta de pessoal. “Falta recursos humanos, isso é constante, por isso que a gente cobra sempre concurso público”, disse.

O coordenador também cita que a superlotação no hospital é um dos motivos para atrasar o atendimento de cirurgias. “A qualidade do ambiente que às vezes o hospital é super lotado e a gente acaba utilizando salas cirúrgicas para colocar pacientes pós-operatórios. Acontece isso e se diminui as salas de cirurgia, então acaba atrasando, acaba as cirurgias sendo diminuídas e ficam as filas dos pacientes para serem operados”, completou.

Procurada pelo AGORA RN, a Secretaria de Saúde Pública do RN (Sesap) afirmou, por meio de assessoria, que mantém um grupo de trabalho permanente para tratar do abastecimento de todas as mais de 20 unidades hospitalares da rede estadual.

“O Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel mantém sua capacidade de atendimento plena, recebendo mais de 200 pacientes por dia apenas em seu pronto-socorro. Há um trabalho diário e constante, por meio de força-tarefa com diversos setores da secretaria, para agilizar os processos de aquisição e regularizar o abastecimento”, disse a Secretaria.

Sobre os prazos para que a situação seja normalizada, a Sesap informou que dependem do andamento dos processos de aquisição dos insumos, que são relativos aos fornecedores dos equipamentos e medicamentos. “Parte deles estão em processo de finalização, enquanto outros aguardam entrega por parte dos fornecedores, sendo que parte deles estão com problemas para entrega”, afirmou, por meio de assessoria.

 

AGORA RN

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