Saúde

Vacina contra dengue é pouco procurada nas UBSs

19/01/2025


Com 432 casos prováveis de dengue nas duas primeiras semanas de 2025, o Rio Grande do Norte está em estado de alerta para uma epidemia de arboviroses, de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap). O aumento ainda não se refletiu no processo de imunização das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Natal, que registram baixa procura. Nessas unidades, podem ser vacinados apenas crianças e adolescentes dos 10 aos 14 anos. A vacina, no entanto, está disponível para pessoas com idades entre 4 e 60 anos na rede privada, que tem constatado alta na busca pelo imunizante Qdenga em janeiro nas clínicas da capital.

 

Na Universo Vacinas, a procura já aumentou em mais de 50% em relação a janeiro de 2024, de acordo com Graça Oliveira, proprietária e enfermeira da clínica. “Durante esse período de veraneio, esse é um processo que começa a se intensificar, porque as pessoas vão para regiões de praia e costumam fazer um contato maior com o mosquito da dengue”, afirma. Na Amo Vacinas, a procura, que não era registrada havia alguns meses, voltou a ser observada este mês. “A gente colocava o imunizante no orçamento e as mães pediam para tirar”, comenta Lívia Vieira, responsável técnica e uma das proprietárias da clínica.

 

“Agora, essa busca voltou a acontecer, embora de uma forma ainda pouco expressiva”, completa Vieira. Nas Unidades Básicas de Saúde, que atendem somente crianças e adolescentes, a imunização segue tímida. Na UBS do Alecrim, a média de aplicação diária da Qdenga é de apenas duas doses. Por conta disso, a unidade tem evitado solicitar novas remessas para evitar perdas. Lucineide Ferreira, responsável técnica da UBS, alerta ainda que o número de crianças com o esquema vacinal incompleto (o esquema é composto por duas doses) é alto. “Além da baixa procura, tem muitos pais que trazem os filhos uma vez e depois não retornam para a segunda”, pontua.

 

De acordo com ela, 28 doses estão disponíveis, número que permite suprir a demanda atual sem que haja risco de vencimento de prazo de validade. “Se aumentar a procura, a gente solicita novas doses”, relata Ferreira. Na UBS São João, no Tirol, as buscas pela vacina também são consideradas baixas. “O máximo que a gente consegue fazer são cinco doses por dia”, comenta Micarla Costa, técnica de enfermagem da unidade. Por lá, há pouco mais de 200 doses disponíveis. “Felizmente, o prazo de validade está para julho, então, no momento, não temos essa preocupação com perdas”, diz Costa.

 

 

A filha do auxiliar de serviços gerais Jorge Luiz teve dengue em fevereiro do ano passado. Iolanda, de 9 anos, está fora da faixa etária contemplada pelo plano de imunização do Sistema Único de Saúde (SUS), que é dos 10 aos 14 anos. O Governo Federal justificou a escolha do público-alvo alegando que esta é a faixa que apresenta maior risco de agravamento para a doença. “Ela começou tendo febre, depois apareceram pequenos caroços avermelhados nas pernas. Levamos a menina à UPA e foi constado que era dengue”, conta Jorge.

Sem ser contemplada pelo SUS, a alternativa seria o atendimento na rede privada, onde uma única dose custa a partir de R$ 450. Sem a imunização, Jorge se diz aliviado ao menos pelo fato de a doença não ter se agravado. “Deu febre, dor de cabeça e cinco meses depois o cabelo teve uma grande queda. A médica disse que ainda era efeito da dengue. Mas, graças a Deus ela não teve sintomas piores. Na UPA, tomou soro e remédios para aliviar os sintomas”, descreve o auxiliar de serviços gerais.

 

RN recebeu 40 mil doses do governo federal

 

A Secretaria de Estado da Saúde Pública recebeu 40 mil vacinas da Qdenga do Ministério da Saúde e deve iniciar a distribuição em breve para os municípios. Segundo Diana Rêgo, coordenadora de Vigilância em Saúde da Sesap, os critérios estão sendo definidos junto aos municípios. A faixa etária utilizada no ano passado deve ser mantida para este ano, com público-alvo entre 10 e 14 anos.

“O que vamos fazer é ampliar o número de municípios que vão receber as doses, porque alguns deles não querem receber a vacina”, apontou Diana. O Brasil é o primeiro país do mundo a oferecer o imunizante no sistema público universal. O Ministério da Saúde incorporou a vacina, conhecida como Qdenga, em dezembro de 2023. A inclusão foi analisada pela Comissão de Incorporações de Tecnologias no SUS (Conitec) e passou por todas as avaliações da comissão, que recomendaram a incorporação. O esquema vacinal é composto por duas doses.

 

 

TRIBUNA DO NORTE

Essa publicação é um oferecimento

Open Master - Agência de Desenvolvimento Web